Carne ao vento

Escrito na noite de 16 de Dezembro de 2025
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Ciniro Nametala

@ciniro

Ciniro é professor no IFMG - Campus Bambuí. Especialista em Inteligência Artificial. Escreveu o blog CINIRONET por mais de 20 anos. Hoje todos os seus textos estão no Livre Dia.

EPISÓDIO 1

Haviam tantas crianças soltando pipas no céu que um dia um menino sem pipa se perguntou

“Porquê dentre tantas tão bonitas, coloridas e livres, sem nenhuma aqui estou?”

Um garoto gordo, alto, de camisa listrada, cara amarrada, correndo veio em sua direção

“Você é muito esquisito, não tem pipa, não tem linha, não deveria estar aqui não.”

O menino triste, correu até ficar sozinho, parou ao lado de um laguinho, respirou e chamou a Deus

“Deus você poderia me dar uma pipa? Em troca todos os frutos da minha vida serão seus.”

Fez-se silêncio e Deus não respondeu, mas um sapo que ouvia tudo de uma pedra logo se atreveu

“Garoto, largue de ser bobo, o que lhe falta não é uma pipa e sim saber fazê-la,

sem chorar, arranque do seu corpo sua pele, pegue uma linha e nela martele,

limpe o sangue do seu torso exposto, coloque um sorriso no rosto,

sobre a dor não pense no quanto, volte correndo pro campo,

procure o garoto gordo, faça com ele um acordo,

vire seu amigo, encontre nele um abrigo,

esqueça qualquer perigo,

não é um castigo."

Assim o garoto fez, confiando completamente no sapo, urrou de dor quando a pele saiu, a sua pipa era feia, mas enfim ele conseguiu.

Fonte da imagem: Instagram (@martymixx)

EPISÓDIO 2

Ao chegar no campo, engolindo o choro, o menino fez subir pelos céus sua própria carne ao vento

“Olha gente tem um garoto novo no parquinho, que papagaio diferente, é bonito mas nojento.”

O garoto gordo se aproximou, com desdém analisou, questionou se era mesmo aquilo uma pipa

“Você é muito esquisito, sua pipa não tem cor, não tem rabiola, balança torta, parece uma tripa.”

O menino aceitou seu destino, viveu dessa forma até que um dia pegou uma infecção e foi ao médico

“Homem você não deveria ter feito isso, é patético, você não sabe soltar pipa e isso é genético.”

O homem então lembrou do sapo, entendeu o acontecido, questionou o médico sobre o futuro

“Você não pode repor sua pele, ela acabou, a infecção só dá pra tratar, não dá pra te tirar desse apuro,

o que você pode fazer é levar sua vida, limpar sempre sua ferida pra tentar evitar recaída,

pra cura acontecer você deve estar disposto a se afastar das coisas que lhe fizeram adoecer,

evite frequentar o parquinho, se afaste sempre do sapo no laguinho,

aprenda tudo de novo do começo como se fosse um aprendiz,

se reconecte com o que é a sua raiz,

tente todos os dias ser feliz,

junto dessa cicatriz."

Assim o garoto fez, confiando completamente no médico, urrou de dor quando deixou de ir ao parquinho, mas foi feliz ao entender o valor maior de se estar sozinho.

Modo Foco

PDF

Referência BibTeX

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Referência ABNT

NAMETALA, Ciniro. Carne ao vento. Plataforma Livre Dia, 16 dez. 2025. Disponível em: <https://livredia.com.br/texto/742/>. Acesso em: 29 2026.

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Jaciara Elisiário Leitor Especial

6 meses, 2 semanas atrás

Sem palavras!

Ciniro Nametala Autor Verificado Administrador (Autor)

6 meses, 2 semanas atrás

Obrigado @jdelisiario ❤️

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