José

Poema sobre a solidão moderna

Escrito na noite de 01 de Abril de 2024
Selo LIVRE DE IA
Brasil Existencialismo Modernismo Poesia Solidão

Carlos Drummond de Andrade

@drummond

Poeta e cronista mineiro, um dos maiores escritores brasileiros do século XX. Sua poesia combina ironia, melancolia e crítica social, refletindo sobre a condição humana, o cotidiano e as contradições da vida moderna.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Modo Foco

PDF

Referência BibTeX

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Referência ABNT

DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. José: Poema sobre a solidão moderna. Plataforma Livre Dia, 01 abr. 2024. Disponível em: <https://livredia.com.br/texto/710/>. Acesso em: 29 2026.

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