Manhã morna de domingo. O sol das nove ilumina feixes de esperança. Em minha boca o gosto do café e do cigarro. O mundo tem me assombrado. Os homens fazem guerra de novo. Vi a fome outro dia aqui na esquina. Às vezes lembro dos sonhos de menina. Já vivi algumas vidas. Sonhei com cantigas de amor. Manhã morna de domingo. Sentir minha pele, sentir minha dor. Mãe, me dá teu colo? Os homens fazem guerra lá fora de novo. Fome mãe, a fome… Deus nos abandonou. A vida mãe, termina. A tua vida mãe, o que seria sem a minha? Às vezes me lembro dos meus sonhos de menina. A poesia mãe, a poesia! Naquele pôr do sol de domingo. Naquele menino que não sabia que sentia fome. Nessas palavras sem rumo, guiadas por tudo aquilo que em mim ficou. Meu vestido branco banhado em vinho. Meu espírito destruído. Sou um grito dolorido. Manhã fria de domingo. Me escondo debaixo do cobertor. Acho que os homens lá fora querem guerra de novo. Perdão, senhor.
Maria Martins - 26/07/2026