Dedicação do autor (Na verdade Clarice Lispector)
Na verdade a moça se chama Macabéa, a quem dedico estas linhas como força de súplica. E dedico a Deus, que é aflitivo e que é misterioso, à Nossa Senhora da Boa Morte ou Aparecida que dá morte doce e esperançosa, à Santíssima Trindade, aos mártires cristãos, aos mártires judeus, aos patriarcas do velho testamento, que têm a mesma dura face que Moisés quando desceu do Monte Sinai.
Dedico-me à tempestade de Beethoven. Dedico-me a Mozart que tantos anos antes de morrer já parecia morrer a cada momento. Dedico-me a Chopin, esse polonês de Paris. Dedico-me a Strauss e a Johann Sebastian Bach e aos gregos que inventaram a tragédia que ajuda a viver. Dedico-me à alegria de Charlie Chaplin e a Deus que teve a ousadia de inventar os afetos.